dias por nós



a coisa toda cabe
em três dias
e um pouco mais.

um no ermo da casca
outro rodando
e um de sentar-se.

dias de mundar,
de aquietos de esquecer,
de nem convém muito mais.

três dias e alguns outros,
os que se apresentam logo de manhã,
os de café morno em copinho de plástico,

os dias ricos de desviamentos
e voltas  às matérias dúbias,
os dias iguais de presenças iguais.

dias recolhendo o bom de haver,
de recomendas,
de estava aqui até ontem mesmo,

de palavras chamativas
de achar dinheiro no bolso da calça,
de não houvesse a máquina stalinista de carros,
de te dizer o garçom que a cozinha vai fechar,

dias de pisar em poça
de comer pastel
de comer só
de comer a gula demais,

dias na sequencia
de outra e outra mais
e quebras,

dias de bandeio
dias de caiçara de silencio,
de meneios e musica dos costumes,

dias de chuva de dias no sul de minas,
de tietê como uma cobra
gorda e resignada,
dias de azul que prensa
no amplo de goiás.

dias percorrendo em nós,
sem licença
sem amabilidades,
um deus entre mortais.




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distar III

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